Cretinismo

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O Cretinismo é uma deficiência mental provocada por Hipotiroidismo congênito. A deficiência de hormônios da tireóide durante a gravidez e/ou nos primeiros dois a três anos de vida freqüentemente resulta em rebaixamento importante da inteligência, deficiência auditiva e de crescimento, sendo que nos casos graves observa-se retardamento mental, surdez e baixa estatura. Um quadro triste e irreversível, conhecido como cretinismo. A identificação da doença se faz pelo teste do pezinho.

A importância do teste do pezinho

Durante o desenvolvimento do recém-nascido a ausência da tiroxina, um dos hormônios da tireóide, impede o amadurecimento cerebral normal. O primeiro teste para detecção de hipotireoidismo precisa ser feito entre o terceiro e o sétimo dia de vida do bebê, assim as mães devem retornar com o recém nascido à maternidade para que seja colhido umas gotinhas de sangue. No caso positivo para o hipotireoidismo o tratamento precisa começar no máximo em um mês, em que a criança passa a ingerir um comprimido diário (tiroxina) e visitar o médico pelo menos cinco vezes por ano, nos 12 meses iniciais. E assim, a criança vai ter uma vida absolutamente normal e sem comprometimento cerebral. É muito simples poder fazer um tratamento eficaz para o resto da vida.

Um recém-nascido com problemas na glândula tireóide pode ter aparência e função normais, isso porque foi suprido com certa quantidade de tiroxina pela mãe enquanto no útero. Contudo, algumas semanas após o nascimento, se o caso não for descoberto e tratado com urgência, este bebê possivelmente começará a apresentar lentidão nos movimentos, retardo do crescimento físico e deficiência no desenvolvimento mental.

Calcula-se que 1.5 milhões de recém nascidos não passam pelo Teste do Pezinho. Esta situação pode melhorar se a mídia divulgar o fato de que todo recém nascido deve em Posto de Saúde ou o Hospital realizar o Teste do Pezinho, porém não é só a mídia a responsável, existe toda uma conscientização que vem desde a educação, até cartilhas de divulgação por parte do governo federal e melhor capacitação dos profissionais da saúde para que não deixem as mães desinformadas. Existe uma Cartilha do Hipotireoidismo Congênito, resultado de um trabalho conjunto do Instituto da Tireóide, com apoio do Ache Laboratórios e a equipe do Ambulatório de Hipotireoidismo Congênito do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG*. (disponível em: http://www.ache.com.br/_anexos/Colecao_Ache_Hipotireoidismo1.pdf)

As carteiras de vacinações da rede pública trazem um “manual’ muito interessante sobre as características que seu filho deve apresentar com um mês, três meses, seis meses, até o 5º ano de vida, como sentar, engatinhar, andar, falar, etc. Também é importante comparar o desenvolvimento dele com o das outras crianças, principalmente em comportamentos básicos como se ele tem ânimo de brincar ou se dorme além do normal.

Muitas mães levam um susto e só vão descobrir que seu filho (a) tem essa doença na idade escolar, quando geralmente alguém da escola a chama para contar-lhe que seu filho (a) tem problemas e geralmente os pais custam a acreditar. Parece ilógica tal situação, mas diferentemente como ocorre na síndrome de down, o cretinismo encobre sintomas.

A carência de iodo e o cretinismo

Precisamos de iodo para manter o funcionamento normal da tireóide.
A origem da vida nos oceanos, fez com que o funcionamento da maior parte dos organismos se desenvolvesse baseado em elementos abundantes nos mares, e um elemento marítimo importante é o iodo. Pequenas quantidades desse elemento químico são necessárias para a vida da maioria dos organismos em nosso planeta.

A carência crônica de iodo pode levar a retardo mental, atingindo tanto o feto como o recém-nascido, prolongando-se pela fase escolar, adolescência e fase adulta, levando as crianças a terem baixo rendimento escolar, dificuldade de adaptação social, incapacidade relativa de trabalho na vida adulta e mesmo a sérios problemas de escolaridade e aquisição de novos conhecimentos.

A solução encontrada é a adição de iodo ao sal de cozinha, a um custo anual aproximado de 10 centavos de real por habitante. Em quase todo o mundo essa solução é a que apresenta a melhor relação custo/benefício, mas sua implementação pode ser problemática. Em muitos países, como no caso do Brasil, a iodação do sal é obrigatória por lei e regulamentada através de portarias do Ministério da Saúde. .

Apesar de existir solução para o problema e dos esforços da Organização Mundial da Saúde, a deficiência de iodo ainda causa milhares de vítimas em todo o mundo. No Brasil, a história recente da nutrição do iodo (dos últimos 20 anos) é cheia de altos e baixos e, por isso, preocupa bastante. Compreensivelmente, tanto a fiscalização das usinas de sal quanto a monitoração das crianças num país das dimensões do Brasil oferecem enormes desafios logísticos. Tendo em vista a gravidade dos distúrbios causados pela carência de iodo, amostras de sal são analisadas periodicamente.

A legislação sobre o uso do iodo no Brasil

O primeiro decreto sobre iodo no sal foi publicado em 1959, quando se determinava que o sal fosse iodado na proporção de 10 mg/kg de sal. Todavia o decreto mencionou que tal providência somente seria mandatória por lei em "áreas de bócio endêmico". Como o decreto era vago e não abrangente ninguém o cumpriu. Em 1975 o censo de bócio em escolares (quase 900.000 crianças) em todo o Brasil indicou que cerca de 15% apresentava bócio. Este número é considerado muito elevado.

Seguiram-se outros decretos e leis, mas somente em 1982 é que se criou um grupo de trabalho no Ministério da Saúde, assim o iodo seria distribuído gratuitamente, a toda à indústria salineira e a fiscalização seria severa. Mas foi somente a partir de 1992 que se conseguiu ter todo o sal, para consumo humano e animal corretamente iodado. (cerca de 40mg/kg de sal.) Pela Lei nº. 900516-03-1995O Ministério da Saúde estabelece a proporção de Iodo/sal e autoriza o fornecimento de iodato às salineiras. Existe uma dosagem mínima de iodo para seu consumo diário (aproximadamente 200 microgramas). As necessidades de iodo para o ser humano são variáveis, dependendo da idade, sexo, estado gestacional ou período de lactação, calor e umidade regionais, além de hábitos individuais de adição de sal ao alimento.

Fonte:
http://www.indatir.org.br/o_iodo_t.htm
http://revistapesquisa.fapesp.br/?art=3969&bd=2&pg=1&lg=

*Acidentes em usinas nucleares, assim como artefatos nucleares potencialmente utilizáveis por grupos terroristas, liberam grandes quantidades de iodo radioativo. Em condições normais, esse iodo radioativo também se concentra na tireóide e, mais tarde pode resultar em câncer da glândula. Uma vez que a deficiência de iodo faz com que à tireóide aumente muito sua capacidade de captar e concentrar esse elemento (bócio), um acidente nuclear dessa natureza teria proporções muito mais devastadoras em regiões carentes em iodo, como foi o caso em Chernobyl na Ucrânia, em 1986.

Polícia Militar faz segurança privada em fazenda de Bacha

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O risco de mais um confronto entre ruralistas e indígenas na região de Dois Irmãos do Buriti mobilizou mais uma vez a PM (Polícia Militar) de Campo Grande. Os PMs responsáveis pelas rondas táticas e os da CIGCOE (Companhia Independente de Gerenciamento de Crises e Operações Especiais) fecham o cerco na fazenda Querência São José, de Renato Bacha.

Ocorre que entre hoje e ontem na Capital, furtos, roubos e ao menos três assassinatos foram registrados. "O policiamento ostensivo está todo lá cuidando dos índios", disse um policial que pediu para não ter o nome revelado.

Segundo informações de policiais militares que estão na região de Dois Irmãos do Buriti, a situação lá tensa embora o Estado tenha retirado os índios que entraram na propriedade rural.

Ao menos cem PMs estão no local. Segundo a Constituição Federal, áreas de conflitos indígenas devem ser monitoradas pela Polícia Federal, mas a instituição depende de um pedido da Funai (Fundação Nacional do Índio). A Funai não se posiciona.

Hoje, Mato Grosso do Sul tem ao menos 4 áreas de tensão com risco eminente de confrontos e mais mortes já que em Paranhos os professores Genivaldo Verá e Rolindo Verá foram assassinados. O corpo de Genivaldo foi sepultado já o de Rolindo está desaparecido.

Em Miranda, na fazenda de Pedro Pedrossian, ex-governador de Mato Grosso do Sul, índios da etnia terena continuam no local.

Em Coronel Sapucaia, na noite de ontem, ao menos dez carros com homens armados tentaram expulsar um grupo caiuá que está em parte de uma propriedade rural.

Jacqueline Lopes

Policiais do DOF ameaçam indígenas em Coronel Sapucaia, denuncia Cimi

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Homens em pelo menos 10 veículos mais uma equipe da Polícia Militar do DOF (Departamento de Operações de Fronteira) teriam ameaçado ontem por volta das 23 horas indígenas guarani caiuá que entraram em parte da área chamada Kurussu Ambá, perto de Coronel Sapucaia. De acordo com relato de lideranças da comunidade, no fim da noite de ontem, os dez carros apareceram no acampamento e começaram a atirar para o alto. O Cimi (Conselho Indigenista Missionário) enviou nota à imprensa hoje sobre o problema e há informação de que uma equipe da Polícia Federal tenha ido ao local.

Ocorre que na madrugada de 25 de novembro, cerca de 250 indígenas da etnia guarani caiuá entraram na área que fica a 5 quilômetros da Fazenda Madama, onde, durante um despejo em janeiro de 2007, seguranças particulares assassinaram a rezadeira Julite Lopes, de 70 anos. Até hoje, o caso não foi solucionado pela polícia.

Segundo informações dos índios, a comunidade se escondeu no mato e hoje os indígenas ainda procuram pessoas que ficaram perdidas na confusão.

Os guarani pedem que a Funai (Fundação Nacional do Índio) e o MPF (Ministério Público Federal) tomem providências.

Com isso, Mato Grosso do Sul contabiliza a 4ª área em conflito pela disputa de terra este ano. A primeira foi na região de Dois Irmãos do Buriti que envolveu os terena, a segunda na cidade de Paranhos, onde dois professores guarani foram mortos. A terceira em Miranda. Lá, terenas estão na fazenda do ex-governador Pedro Pedrossian.

O governo federal diz que é prioridade resolver os problemas indígenas e promete criar dispositivo legal para indenizar produtores das áreas que serão demarcadas. Enquanto isso, o clima é tenso no Estado.

Morte

A comunidade de Kurussu Ambá vive há 4 anos na beira da rodovia MS-289, que liga Amambaí a Coronel Sapucaia. No local não há água potável e fica na fronteira com o Paraguai.

Em quatro anos, além de Julite, foi assassinado, em julho de 2007 Ortiz Lopes, outra liderança. E, segundo denúncia dos indígenas, em maio de 2009, foi morto também Osvaldo Lopes. Nenhum dos inquérito foram concluídos.

Jacqueline Lopes

Mulher do deputado Nelson Trad pede demissão após receber meio milhão de reais como fantasma no Senado

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A professora e artista plástica Therezinha Mandetta Trad, mulher do deputado federal Nelson Trad, e mãe do prefeito de Campo Grande, Nelson Trad Filho, ambos peemedebistas, pode ter recebido meio milhão reais de salários por ocupar um cargo no Senado, em Brasília, sem nunca ter ido lá. Ela fora empregado em 2001 e sua exoneração fora publicada no dia 3 de novembro deste ano.

A demissão de Terezinha ocorrera porque ela não fez o recadastramento anual dos servidores do Senado. E a regra era essa: sem o cadastro era certa a exoneração. A medida fora posta em prática após a denúncia de que o Senado empregava centenas de servidores fantasmas.

Ao todo, dos 6.277 funcionários da Casa, entre efetivos e comissionados, 88 não fizeram o recadastramento e 415 não terminaram o processo que se encerrou na noite do dia 26 de outubro.

O primeiro-secretário do Senado, senador Heráclito Fortes (DEM-PI), deu uma nova chance para que esses funcionários irregulares atualizem seus cadastros.

“Estamos abrindo prazo de uma semana, no máximo, para resolver esses casos. A partir daí, estaremos cortando o ponto”, disse o senador à reportagem da equipe da Agência Brasil na semana passada.

De acordo com a assessoria de imprensa da diretoria do Senado, se Therezinha e os outros 87 servidores não fizessem recadastramento ou pedissem a exoneração do cargo na semana passada, sofreriam processos administrativos para apurar se eles são funcionários já falecidos, fantasmas ou tiveram algum problema para o preenchimento do cadastro.

A punição para quem perdesse a nova oportunidade do cadastro vai desde o corte dos salários até a exoneração do cargo, como aconteceu neste caso, a pedido da própria ex-servidora.

O caso

Therezinha Trad, além de ser professora e artista plástica reconhecida em eventos da cultura sul-mato-grossense, é mulher do deputado federal Nelson Trad, mãe do prefeito de Campo Grande, Nelson Trad Filho, do deputado estadual Marquinhos Trad (PMDB) e do presidente da seccional da OAB MS (Ordem dos Advogados do Brasil – Mato Grosso do Sul), Fábio Trad (PMDB), que é pré candidato a disputar a vaga do pai, que não vai mais se candidatar e de outras duas advogadas.

Mesmo morando na Capital, Terezinha apareceu na lista de servidores comissionados lotados na Diretoria Geral do Senado, em Brasília. As primeiras informações confirmavam a contratação dela é desde 2003, mas na verdade ela é funcionária do Senado Federal desde 2001.

De acordo a apuração da reportagem do Inconsenso, Therezinha foi admitida como assistente parlamentar, (AP -2), em março de 2001, quando o ex-senador e atual deputado federal, Jader Barbalho (PMDB-PA) ainda era presidente da casa. A nomeação foi feita por meio do ato Nº 115, de 2001, que foi publicado no Boletim Administrativo do Pessoal do Senado, no dia 29 de março daquele ano.

Dois anos depois, no dia 4 de fevereiro de 2003, Therezinha foi exonerada do cargo pelo Diretor Geral do Senado, Agaciel da Silva Maia, um dos precursores da crise atual do parlamento brasileiro que eclodiu com centenas de atos secretos que foram revelados este ano.

Passados dois meses, ela foi recontratada, de acordo com a lista de servidores comissionados que é disponível no próprio site do senado e é atualizada diariamente.

Férias

Em 2005, Therezinha Trad foi chamada a atenção pelo Senado e figurou na relação dos servidores que tinham férias ou saldo de férias, referentes ao exercício de 2004. Caso não tirasse os 30 dias de férias que tinha, perderia o benefício.

Therezinha teria sido cedida para trabalhar no gabinete do senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) líder do partido do Senado, no entanto, após conversar com funcionários do gabinete do senador, a reportagem descobriu que não há nenhuma funcionária com nome de Therezinha Mandetta Trad que trabalha ou trabalhou no gabinete do senador nos últimos três anos.

O salário bruto de assessor parlamentar é de R$ 4.989,00. Isto quer dizer que desde fevereiro de 2001, período de sua primeira nomeação, Terezinha Trad recebera pouco mais de R$ 520 mil. Isto representa cerca 1.118 salários mínimos (R$ 465,00) ou

Na primeira matéria feita pela equipe de reportagem do Inconsenso, o deputado Nelson Trad, que estava afastado da Câmara dos Deputados para tratamento de doença ligada ao coração, afirmou que nunca tinha conversado com Sarney a respeito da contratação da mulher e que ia “ver isto” (A denúncia sobre sua esposa ser funcionária fantasma no Senado). Ele, contudo, não negou que sua mulher havia sido nomeada no Senado. Nem confirmou. “O marido é o último que sabe destas coisas”, disse o parlamentar em tom de brincadeira. “Prometo que vou apurar o que você está me falando e me liga mais tarde”, disse o deputado.

No mesmo dia (5 de setembro), o filho de Therezinha, deputado Marquinhos Trad (PMDB) saiu em defesa de sua mãe e disse que ela “nunca trabalhou no Senado” e que sua mãe “nunca foi nomeada assessora parlamentar” e que a “família Trad nunca havia determinado a nomeação dela”.

Agora, após a exoneração de Therezinha, Nelson Trad não quis mais comentar o caso. Por telefone ele disse à reportagem que só comentaria o caso pessoalmente.

Caso semelhante

Em um caso semelhante um funcionário fantasma do senado foi obrigado a devolver R$ 219 mil, em valores de 1999, sujeitos à correção monetária e a juros de mora.

O senador Marco Maciel (DEM-PE) lotou um servidor da gráfica do Senado na liderança do PFL (atual Democratas) em abril de 1991 a pedido do então subchefe de gabinete, Silvio Esteves Coutinho, que informou que o servidor, seu irmão, era alcoólatra e passava por tratamentos e argumentou que a lotação no gabinete permitiria o acompanhamento do estado de saúde dele.

O irmão de Coutinho foi preso por latrocínio e cumpriu pena de dois anos no Presídio da Papuda, em Brasília. Então o subchefe do gabinete falsificou a folha de ponto do irmão, o que lhe garantiu, por meio de procuração, receber o salário do servidor no período em que ele esteve preso. Foi instalado o primeiro processo disciplinar que se desdobrou no ressarcimento aos cofres públicos

Após responder a dois processos administrativos, um inclusive com a indicação de que deveria ser demitido pelo ato praticado, Silvio Esteves Coutinho permanece no quadro de pessoal do Senado, lotado na Subsecretaria de Anais, e seu irmão foi aposentado por invalidez após constatada alienação mental, conforme os assessores do parlamentar.

Veja aqui os documentos que comprovam as irregularidades.

Celso Bejarano Jr. e Ítalo Zikemura

Peões são deixados em condições subumanas durante Expoinel

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O que você acha de trabalhar em uma empresa que a unidade do produto pode chegar a mais de R$ 1 milhão? Viajar para o país todo, e também para o exterior? Parece o trabalho dos sonhos de qualquer um. Mas trabalhar para as fazendas de quem cria gado de elite, na prática, assemelha-se mais a vida dos catadores de lixo que existem por todo o Brasil.

Durante a Expoinel MS 2009, em Campo Grande, era evidente que os fazendeiros estavam muito mais preocupados com o bem-estar de seus bois do que o de seus tratadores. “Aqui existem só quatro chuveiros para cerca de duzentos homens”, reclama um deles que não quis se identificar por medo de ser demitido.

A falta de respeito com o trabalhador era evidente, só não viu quem não quis. Do lado de fora do Pavilhão Albano Franco havia dezenas de tatuzinhos (um tipo de cama de campanha totalmente coberta com lona de caminhão) bem ao lado de sacos de lixo, ração para o gado e serragem – que servia de cama para os animais. Do lado de fora também era o único lugar para os peões cozinharem em meio ao mau cheiro.

“Para os touros que eu cuido tem até ventilador que joga água. Quanto a mim, tenho de dormir nesses tatuzinhos quentes. Gado tem mais valor do que gente”.

Na roda onde estavam os tratadores mostrando à reportagem as condições que são submetidos chegou mais um, transtornado. “Não adiantou reclamar, só vai ter quatro chuveiros para gente daqui até o fim da exposição. Imagina quanto tempo vai demorar para todos aqui tomarem banho?”. E banho não era um luxo, pois o ambiente no Pavilhão estava cheio de pó de serra em suspensão que saía da cama dos animais.

"Como um evento que movimenta tanto dinheiro pode tratar as pessoas dessa maneira?", disse uma pessoa que trabalhou no setor executivo do evento.

Por ironia os promotores do evento pertencem a uma das classes mais ricas do Brasil e ainda a Expoinel MS teve patrocínio do governo do Estado e também do governo federal.

Um caminhoneiro, que preferiu se manter no anonimato, disse que é assim em qualquer evento. “Em Cuiabá, os chuveiros ficam do lado de fora do parque, a gente sai para tomar banho e quando volta tem de pagar ingresso. Falar que o seu caminhão está lá dentro não adianta, os seguranças não entendem”, conta. “O que custa para essa gente tão rica dar melhores condições para quem trabalha com eles? Pagar um quarto de hotel, fazer instalações nos parques de exposições para os tratadores não pesa para eles”.

Se for para falar de valor, aqui temos alguns: os leilões das Expoinel somaram R$ 17 milhões, conforme o site do evento. A venda de apenas 33% da vaca Marani JS saiu por vinte parcelas de R$ 20 mil, que totalizam R$ 400 mil. A tal Marani pertence a Cícero de Souza (conselheiro do Tribunal de Contas de MS) e do cantor sertanejo Zezé Di Camargo.

“O gado pode ser de elite, mas o peão sofre do mesmo jeito”, conclui um dos tratadores.

Segundo o site Nelore MS, a Expoinel contou com a presença da secretária de Desenvolvimento Agrário, da Produção, da Indústria, do Comércio e do Turismo, Tereza Cristina, do governador André Puccinelli, que participou de um dos leilões, o secretário de Obras Públicas e de Transportes Edson Girotto, o presidente do Tribunal de Contas, o desembargador Cícero de Souza, o presidente da Acrissul Francisco Maia, o diretor da Famasul Dácio Queiroz, o proprietário da Sete Estrelas Embriões Oswaldo Possari, entre outros e criadores e expositores do Estado e a mídia segmentada e aberta compareceu em grande número. Porém, os jornalistas não puderam noticiar o outro lado da exposição. Agora, onde está o Ministério do Trabalho e o Ministério Público?

JJIC

A tireóide e o hipotiroidismo

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Todos nós, homens e mulheres, temos uma glândula chamada tireóide. Dizem que lembra a forma de uma borboleta. Cerca de 5% da população* apresenta anomalias funcionais da glândula tireóide (ou tiróide, com forte predomínio nas mulheres. E eu sou uma delas.

Calcula-se que, no mundo, mais de 200 milhões de pessoas sofrem com alguma forma de doença da tireóide: inflamações; punções; nódulos (tirá-los ou deixá-los); sintomas como: perda de cabelo, alterações de peso, pele seca, insônia, humor, cansaço, lapsos de memória, câncer, síndromes e vários outros distúrbios, tanto físicos como emocionais.

Em crianças, pode causar ainda atraso do crescimento e, se não tratado, deficiência mental importante. É uma doença auto-imune, auto-agressora. Às vezes, dá tanto trabalho em quem tem o problema como para os que convivem com quem tem.

Tireóide é uma glândula localizada na região anterior do pescoço que possui importante papel no controle do metabolismo do organismo. Ela produz os hormônios tireoideanos (T4 e T3), que modulam a velocidade com que a energia será consumida. A glândula tireóide é estimulada a produzir o T3 e T4 por outro hormônio, o TSH (hormônio tíreo-estimulante ou tireotrofina), produzido na Hipófise (glândula situada no cérebro). A glândula tireóide pode produzir hormônio demais (hipertireoidismo), ou de menos (hipotireoidismo), fazendo o corpo usar energia mais lentamente do que deveria.

A Hipófise, por sua vez, é estimulada a produzir o TSH por outro hormônio ainda, o TRH (hormônio liberador da tireotrofina), este produzido no Hipotálamo (uma área do cérebro).

O hipotiroidismo


De um modo geral, o hipotireoidismo mais comum é do tipo primário, geralmente causado por uma tireoidite de Hashimoto, que se caracteriza por uma inflamação crônica da tireóide ocasionada por anticorpos que atacam a própria tireóide (doença auto-imune). Algumas pessoas já nascem com hipotireoidismo (congênito).

Em geral, os sinais físicos e psiquiátricos, sobre tudo se o hipotireoidismo é diagnosticado precocemente, melhoram com o tratamento hormonal substitutivo.

Os principais sintomas do hipotireoidismo são os seguintes:

Bócio;
Aumento de peso;
Cansaço crônico;
Depressão, dificuldade de concentração e lapsos de memória;
Dificuldade de raciocínio;
Pele ressecada, cabelos ásperos e quebradiços;
Constipação intestinal (prisão de ventre);
Anemia;
Dificuldade para engravidar e abortamentos;
Inchaço de tornozelos e face;
Colesterol elevado;
Dor e fraqueza muscular;
Dores nas juntas.

Muitas pessoas não têm a sorte de serem diagnosticadas corretamente e vagam de médico em médico procurando uma solução para os sintomas que sentem. No meu caso em particular, vaguei em neurologistas, psiquiatras, clínicos gerais, tomei remédios errados, tarja preta, até que uma endocrinologista em 1995, ao me ouvir descrever os sintomas fez o diagnóstico correto (cujos exames comprovaram). E assim há 15 anos e para sempre estarei em tratamento contínuo. Assim como todos aqueles que tem disfunção da tireóide devem fazer para o resto da vida.

Por teimosia, já deixei de tomar o remédio, ao fazer a conta insana de que por mais de dez anos com uso contínuo, tomando 1 comprimido por dia eu já havia ingerido cerca de 3.600 comprimidos e uns 300 quilos de levotiroxina (hormônio este não mais produzido pela glândula tireóide, e que deve ser reposto diariamente). Então já devo ter sarado! – pensei. Ledo engano, não se sara, não há cura, há sim tratamento e que bom que existe! E sem a medicação por alguns dias foi o suficiente para voltar à estaca zero que além da volta de todos os sintomas, voltaram com maior intensidade. Recentemente em outra recaída, quatro dias sem a medicação tomei algumas atitudes que depois me arrependi, todas ligadas a questão emocional e depois dormi um dia inteiro sem ter forças para levantar.

O preço da medicação é baixo, comparado a outros remédios de uso contínuo. Existem marcas diferenciadas com preços acessíveis. O SUS realiza o exame, em postos de saúde onde se faz a coleta do sangue. Antes é necessário consultar um médico para obter o pedido dos exames TSH, T3 e T4.

A dosagem correta da medicação é difícil de acertar, às vezes tem de ser aumentada ou diminuída, mas só o exame TSH é que vai determinar. Quem toma uma dosagem abaixo da necessária, não faz efeito nenhum. Se a dosagem está muito alta, corre-se o risco de virar hipertiroidiano além de ter os efeitos como insônia, taquicardia e agitação. Por isso, a cada 6 meses são necessários novos exames. Para pessoas já operadas (com nódulos benignos ou malignos) a recomendação pode ser até antes desse prazo.

Diagnosticar, tratar, tomar o remédio todos os dias em jejum e esperar uma hora antes de se alimentar. Obter conhecimento sobre a doença e ter perseverança, com certeza melhora a qualidade de vida e das pessoas que estão à sua volta e você ficará com disposição, tal qual uma borboleta.

Kátia Viviane Kintschner
Hipotiróidica há 15 anos.

Esse texto teve o intuito de informar as pessoas que podem ter essa doença e não sabem.

http://www.clubet4.com.br/

“Não sou doente, sou T4 dependente!"

* http://www.abcdasaude.com.br/artigo.php?298

Ao defender a cana na Bacia do Alto Paraguai, governador xinga ministro Minc de "bicha, fumador de maconha"

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Em reunião com empresários e industriais na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul nesta manhã, quando assinou o decreto que amplia em 10 dias o prazo para o pagamento do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), o governador André Puccinelli (PMDB) xingou o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc.

Na presença dos empresários disse que o ministro “é viado e fuma maconha” diante da imprensa e das câmeras de televisão. Os deputados acharam graça.

Ele disse ainda que pretendia “estuprar o ministro em praça pública”. Tal declaração surgiu após o presidente da Fiems (Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul), Sérgio Longen, informar ao governador sobre a Meia-Maratona Internacional do Pantanal que será realizada no dia 11 de outubro. Evento patrocinado pela Federação.

Em meio a risos, André perguntou se Minc participaria. Ao ouvir a resposta negativa, continuou “eu o alcançaria e estupraria em praça pública”.

Minc é um dos ministros mais polêmicos governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Defensor da liberação da maconha avalia que a proibição é uma hipocrisia.

“Os juízes da Argentina descriminalizaram. O usuário não é criminoso. Nesse jogo a gente tá perdendo aqui. Nós vamos virar esse jogo para acabar com a hipocrisia", disse o ministro, ao som de vivas, durante show da banda de reggae Tribo de Jah, na Chapada dos Veadeiros (GO) neste mês. O vídeo com o discurso do ministro no show acabou divulgado no site YouTube.

Na reunião com empresários e industriais nesta manhã na qual assinou o decreto ampliando em 10 dias o prazo para o pagamento do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), o governador André Puccinelli (PMDB) esclareceu que não pretende lotar a BAP (Bacia do Alto Paraguai), no entorno de Pantanal, de usinas, mas apenas plantar cana para recuperar áreas erodidas.

“Não quero pôr usinas. Quero plantar cana (...) O medo que se tem é de contaminar os rios com o vinhoto, mas hoje até o vinhoto serve de fertilizante”, mencionou no evento realizado na sala de reuniões de seu gabinete na governadoria.

André criticou o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, autor do ZAE (Zoneamento Agroecológico da Cana) que veta o uso da BAP para usinas e lavouras de cana.

O ZEE (Zoneamento Econômico Ecológico) estadual é idêntico ao elaborado pelo governo federal, disse André.

A primeira etapa do ZEE-MS já está na Assembleia Legislativa. Os parlamentares são contra a aprovação do ZAE de Minc. A BAP tem cerca de 3,5 milhões de hectares. O governo pretendia 1,280 milhão para cultivar cana.

Na argumentação do governo, Carlos Minc entregou a BAP para o capital internacional só para obter o chamado selo verde que abre as portas do mercado externo para o etanol brasileiro.

Mulher do deputado Nelson Trad “trabalha” no Senado desde 2003

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A mulher do deputado federal Nelson Trad (PMDB-MS), Therezinha Mandetta Trad, mãe do prefeito de Campo Grande, Nelsinho Trad, outro peemedebista, é servidora comissionada do Senado. Ela teria sido nomeada em 10 de abril de 2003, como assistente parlamentar, cargo cujo salário mensal beira a casa dos R$ 5 mil.

A família de Terezinha informou que ela “nunca trabalhou no Senado”. E a função para a qual fora nomeada exigiria jornadas de trabalho no Senado, em Brasília, não em Campo Grande, onde mora. No período da contratação de Therezinha, também mãe do presidente da OAB seccional Mato Grosso do Sul e de um deputado estadual, José Sarney era quem presidia o Senado. Assim que Sarney passou a ser denunciado por conta das supostas irregularidades nas nomeações por meio dos atos secretos, surgiram rumores de que Therezinha era funcionária fantasma do Senado.

Pelo sistema dos Recursos Humanos do Senado, o sobrenome de Therezinha aparece grafado como se fosse Drad e não Trad, e isto dificultava a pesquisa. A coluna Painel, da Folha de S. Paulo, noticiou em sua edição de hoje a nomeação envolvendo a mulher do deputado Nelson Trad.

Salário

O deputado Nelson Trad, afastado da Câmara dos Deputados há pelo menos um mês para tratamento de doença ligada ao coração, disse na manhã desta quinta-feira que nunca conversou com Sarney a respeito da contratação da mulher e que ia “ver isto”. Ele, contudo, não negou que sua mulher havia sido nomeada no Senado. Nem confirmou. “O marido é o último que sabe destas coisas”, disse o parlamentar em tom de brincadeira. “Prometo que vou apurar o que você está me falando e me liga mais tarde”, disse o deputado.

Therezinha Trad é mãe do deputado estadual Marquinhos Trad (PMDB) e do presidente da OAB regional Fábio Trad, do prefeito Nelsinho Trad e ainda de duas advogadas. Marquinhos disse que sua mãe “nunca trabalhou no Senado” e que ela “nunca foi nomeada assessora parlamentar” e que a “família Trad nunca havia determinado a nomeação dela”.

De acordo com assessoria de imprensa da Diretoria Geral do Senado, o salário bruto de assessor parlamentar é de R$ 4.989,00. Isto quer dizer que desde abril de 2003, período de sua nomeação, Terezinha Trad recebera cerca de R$ 380 mil.

Veja aqui a lista dos funcionários comissionados do Senado.

Celso Bejarano Jr. e Ítalo Zikemura