Conselho bom é no lixo

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“Conselho: Advertência que se emite, aviso. 2. Corpo consultivo e ou deliberativo que se reúne para tratar de assunto de interesse público ou particular”. (Aurélio Buarque de Holanda Ferreira)
Essa deveria ser a função dos conselhos da antiga Rádio Educativa e TVE Regional, atual TV Brasil Pantanal, que foram modificados após 2 anos sem atuação. Neste período de mudança de governo sempre há alterações nas fundações, secretarias de estado e principalmente na Fertel (Fundação Estadual Jornalista Luiz Chagas de Rádio e Televisão Educativa de Mato Grosso do Sul) houve uma auditoria que fechou a TV por cerca de dois anos.

A tal auditoria teria apontado que equipamentos que sumiram, e outras possíveis irregularidades, mas depois não houve nenhuma informação sobre os encaminhamentos desta auditoria que parou as produções regionais de TV.

Nesses dois anos foram anunciadas a compra de novos equipamentos, reformas e tantas outras coisas além do convênio com a rede estatal EBC (Empresa Brasil de Comunicação), que alterou o nome da TV para TV Brasil Pantanal, mas nada de concurso público para contratar jornalistas e técnicos. A TV educativa do Pará abriu concurso para 83 vagas para jornalistas e técnicos de Rádio e TV.

Mas a pergunta que ficar no ar é a produção de conteúdo local, onde está? Também parou por aí.

Puro engano que as mudanças seriam para melhor. Depois da reativação da TV Educativa de Mato Grosso do Sul, pouca programação regional, um telejornal e só.

Entrevistei certa vez, um militante dos movimentos populares da Bolívia chamada Domitila de Chungara para um documentário e ela disse. “A população é o que seus meios de comunicação são”. Será que somos tão poucos assim?

Não culpo os profissionais por isso, creio que não é culpa deles e muito pelo contrário fazem até demais. A culpa é de gestão!

Tenho muitas saudades da antiga TVE Regional. Lembro ainda quando era estudante secundarista quando não perdia um Roda Viva MS para saber o que acontecia de fato em nosso Estado.

Alma Guarani, o programa “Olhares” com a jornalista Claudia Zowarg, que discutia e apresentava as produções audiovisuais sul-mato-grossenses.

Tinha também o programa “Oficina de Idéias”, ainda com acento agudo. Esse era o programa que eu mais me identificava, tinha uma linguagem jovial, prêmios e se aproximava da interatividade da rádio ou até da internet de hoje, com perguntas dos telespectadores, bandas tocando ao vivo. E o mais interessante era os temas que eram tratados por eles, sempre útil para que os jovens refletissem suas vidas. Certo dia desses, encontrei a jornalista que apresentava o programa em bar da cidade, Nicole Cabalero o nome dela se não me engano. Comentei da importância do programa na minha adolescência, acho que ela ficou ofendida, pensando que esta zoando ou chamando-a de velha. Outro apresentador era o Alexandre Splengler, que conheci posteriormente quando eu cursei jornalismo na UFMS e sempre conversava com ele sobre o programa de estágio em jornalismo, já que ele era do sindicato.

Me acuerdo também quando houve uma maratona de programação local, acho que foram 50 horas programação inéditas durante as férias. Iniciativa muito boa e comparada à produção atual, nem se fala.

Mas notícia mais triste que descobri foi que aqueles conselhos de programação tanto da TV como da Rádio Educativa já não funcionam como antigamente, o povo sul-mato-grossense perdeu sua voz dentro de sua emissora, que se tornou apenas em uma emissora do governo.

Antes a TV tinha a participação de representantes de vários seguimentos da como: Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso do Sul, da Secretaria de Estado de Cultura, do Conselho Estadual de Cultura, da UEMS, UCDB, Uniderp, Associação de Cinema e Vídeo de MS, da Cooperativa de Cinema e Vídeo de MS. A rádio tinha também a participação da Associação dos Músicos do Pantanal, do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Radiodifusão, Televisão, Publicidade e Similares de MS, da Associação dos Compositores, Conjuntos Musicais e Músicos de MS, de cada uma das gravadoras regionais em funcionamento no Estado.

Tantos grupos representados nesses conselhos, não? E agora, como está? Quem são os representantes da população neste conselho?

De acordo com estatuto, os conselheiros são o Diretor-Presidente da Fertel, os Gerentes das Gerências de Rádio, de TV e de Administração e Finanças, e mais sete membros representantes, de “reconhecida capacidade técnica e representatividade local”. Quem são esses sete, não sei, conversei algumas entidades que faziam parte destes conselhos e me disseram que nunca foram chamados neste quase 4 anos de governo.

Por fim, dias desses na Escola Estadual Hércules Maymone estávamos em uma assembleia com alunos da UEMS, que discutiam a ida ou não para o prédio da antiga rodoviária e conversando com uma colega, interrompi o papo e fui jogar um papel no cesto de lixo e avistei um adesivo na tampa que estava escrito em caixa alta: “CONSELHO”.

Conselho seja bom ou ruim não está valendo mais nada, pelo menos nesse governo.

Conselho bom é no lixo.

6 comentários:

Andriolli disse...

“A comunicação não pode ser melhor que sua sociedade nem esta melhor que sua comunicação. Cada sociedade tem a comunicação que merece. ‘Dize-me como é a tua comunicação e te direi como é a tua sociedade”’. (BORDENAVE, 1982, p. 17)

BORDENAVE, Juan E. Diaz. O que é comunicação. São Paulo: Brasiliense, 1982.

walden disse...

Realmente, a antiga TVE Regional estava, aos poucos, e bem devagar, criando uma cultura televisiva sulmatogrossense. Era uma emissora republicana, sem partidarismos, ao contrária da atual TV Brasil Pantanal, cujos programas são apenas propaganda eleitoral disfarçada do atual governador.

Atualmente só assisto, na TV Brasil Pantanal, os bons programas da edição nacional...

Keyciane Pedrosa disse...

E o que que a gente pode fazer para mudar uma coisa dessas????

Raísa disse...

Apesar de comentares sobre o concurso aqui no Pará, a TV daqui tem programas realmente bons que influenciam a regionalidade e cultura a paraense, mas a população não dá o valor que ela merecia, o comércio e o monopólio do governo e das grandes empresas está em todo lugar. O que fazer pra mudar isso? Ler, meu povo, leitura é que nos dá conhecimento para construirmos e lutarmos por aquilo que achamos certo. Parabéns ítalo, realmente conselhos onde se resolve e se faz alguma coisa é dificil esses tempos. Gostei do texto.

EB disse...

No Mato Grosso do Sul, não há imprensa independente. Todos tem rabo preso e vivem dos repasses públicos. Temos que nos unir pela liberdade de comunicação, através de blogs, e-mails e tudo mais.
Eduardo Bottura

Jair Damasceno disse...

Parabéns Ítalo. É claro que por ser um elemento de poder, os veículos de comunicação, principalmente os ligados ao estado, são utilizados para manobras baixas e produzem seus efeitos daninhos na (in)consciência da população. "FICHA LIMPA" na TV Brasil Pantanal.

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