Falsa Impressão

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O pessoal da Zoonoses veio buscar meu cachorro, o exame de sangue deu positivo. Leishmaniose. Como estava meu cachorro?

É bem provável que você o tenha imaginado magro, com queda de pelo e unhas grandes. Obviamente porque esses são alguns dos sintomas dessa doença. Mas não, o cachorro estava lindo, com pelo brilhando, não era magro e nem apresentava nenhum sinal da doença, esta confirmada em dois exames, inclusive a contra prova.

Quando quatro crianças jogam futebol no vídeo game na sala, três meninos, um deles de 8 anos, outro de 9 anos e o mais velho de 11 anos, junto com uma menina de 7 anos e um dos meninos, mostra o “piu piu”, “os “documentos” ou sei lá como queira chamá-lo, para a menina. Quem mandou ele fazer isso? É bem provável imaginarmos que foi o mais velho, o de 11 anos, até porque este já descobriu para que “servem” as meninas e que elas não servem apenas para atrapalhar o futebol. (Se bem que mais tarde, depois de casado ele irá descobrir o quanto algumas delas realmente atrapalham ver o jogo e atrapalham muitas outras coisas também). Foi o mais novo dos meninos que desafiou quem teria coragem de praticar tal ato e acabou mostrando sem querer. Poderíamos pensar que foi a menina, cuja curiosidade feminina é intrínseca.

Falsa impressão é isso. Acontece todos os dias, sobre pessoas, coisas, fatos, religiões, opções sexuais etc. Classificamos de preguiçoso aquele que no fundo mais se esforça, olhamos a grama do vizinho invejando-a por ser mais verde, mas não enxergamos as ervas daninhas lá existentes. Julgamos tudo e todos conforme dita a nossa impressão.

As pessoas que nos passam a impressão de carência constante, que até esperam um telefonema, nem que seja de um telemarketing, um e-mail, nem que seja um spam, são as mais cercadas de amigos. As que mais possuem “amigos” nos sites de relacionamentos podem ser as mais solitárias. E quanta falsa impressão ali existe.

Eu já escutei muitas falsas impressões e a que tem me chateado mais é que quando nós sul-mato-grossenses, viajamos por esse Brasilzão escutamos: Você tem internet? Tem Net? Tem índio na rua? Tem onça? Sem exageros. E os de cultura menos exigente também associam o estado, que para eles é tudo “Mato Grosso” ainda, ao tráfico de drogas.

Vem pra cá, vem conhecer quão avançado estamos em relação a muitos estados brasileiros e capitais. Quanta cultura e conhecimento temos. O que a grande mídia passa, nada mais é do que um sensacionalismo sobre assuntos que dão ibope, por serem intrigantes. Mas que não refletem totalmente a nossa realidade.

E você leitor que achou que eu estava com raiva quando escrevi o texto chamado Raiva eu estava bem calma, lendo um livro chamado “Paciência”. Desculpa aí, foi falsa impressão!

3 comentários:

walden disse...

Kátia:
1. tratando-se de Brasil (desculpe o auto-preconceito), seria melhor você tentar um terceiro exame para comprovar (ou não) a leishmaniose. Em outro Estado, que pode ser, por exemplo, Sapaulo ou Goiás).
2. Quanto ao menino mostrando o piu-piu, é o retrato do machismo brasileiro, para o qual "ser homem" é ser dono de uma mulher, e ser macho é bater em mulher fraca (eles evitam cuidadosamente as porraloucas) ou deficiente físico (como fez aquele delegado). Não consigo vislubrar a diferença entre um machista e um bicha-louca (que pode ser, ou não, um homossexual; há também heteros altamente pecháveis). O guri, futuro machista (há no meu bairro garotos de 7 anos já cognominados de "os bandidinhos do futuro"), se tivesse tendência a ser um macho de verdade proporia aos coleguinhas mostrar o piu-piu estando o exibicionista na exclusiva companhia de 3 meninas. 3 meninos e 1 menina é covardia; 1 menino e 3 meninas é coisa de macho (isto é, de quem não tem medo de mulher).
3. Mas a questão sexual é superdimensionada, e na maioria das vezes esconde o verdadeiro xis do problema: o Poder (campeão mundial em detonagem de falsas impressões). Freud é muito bom, mas Adler é muito melhor (encomendei um livro dele no Instituto Alfred Adler, do estado dunidense de Washington).
4. Sapalo é minha vingança pessoal contra paulistas que chamam o nosso Estado de "Mato Grosso". Para eles sentirem na carne o preconceito. Acresce que eu nasci no estado vizinho (mas faz muito tempo, e me considero um feliz sul-matogrossense.

Erosmari disse...

Olá Kátia,
Adorei ler o seu texto. Ele é um alerta.
Começo este comentário com uma frase que acho importante e a uso na minha vida: "você não pode julgar um livro pela capa". Simples assim. Nenhum de nós é perfeito. Somos pessoas e carregamos a bagagem de nossa vida. Eu lembro da minha mãe me dizendo para parecer apresentável o tempo todo, pois nunca se sabe o que pode acontecer ou com quem você encontrará ao virar a esquina. A primeira impressão é importante sim, mas ela não é tudo. Sinceramente acho isso de "primeira impressão" algo discriminador. Seria fantástico se as pessoas não tomassem uma pessoa ou uma situação por aquilo que lhe parece inicialmente, pois sempre corremos o risco de errar principalmente em época de perfis virtuais cuja primeira impressão já é captada antes mesmo de se conhecer pessoalmente. Não há nenhum grande segredo em boas impressões, apenas que são importantes e que muitas vezes contam na primeira vez.
Eros

Carlos disse...

A autora mais uma vez mostra sua genialidade e criatividade, não obstante o assunto sendo sério.A falsa impressão é um vício ou até mesmo um virus que nos acompanha no dia a dia.Quantos comentários não fazemos as vezes com nossos botões sobre aquele ou aquela pessoa, sejam sobre a roupa, o andar, o jeito de se comunicar...etc. Parece algo genético, que nos leva a fazer isso az vezes inconcientemente.Pobre cão, que por azar foi picado por um simples mosquito, que o levou a morte. Quanto ao comentário sobre o "MS"...a mídia vive de sensacionalismo...ela vive do fora do trivial...então se comentar que o MS é próspero, que o povo é hospitaleiro, seria chover no molhado. Haja vista o que se diz sobre os nordestinos na capital São Paulo...todo mundo é "paraíba"...basta ter a cabeça chata...mesmo sendo cearence..pernanbucano ...etc."falsa impressão".

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